quarta-feira, 18 de abril de 2012

12 filmes para ver antes do mundo acabar: #10 - Kung Fu contra as bonecas (Bruce Lee Vs. Gay Power; 1975)


Vai parecer que eu tenho algum tipo de birra com o cinema nacional, pois até hoje só citei filmes brasileiros nessa seção. Eu juro que ia citar um filme gringo neste mês, mas com a ocasião da morte de Adriano Stuart, não pude deixar de citar essa que, possivelmente, é a grande obra-prima de uma carreira de ator e diretor marcada por filmes como "Fofão, a nave sem rumo", "Bacalhau" (paródia de "Tubarão"), "Os Trapalhões na Guerra dos Planetas" (Brazilian Star Wars). Trata-se de "Kung Fu contra as bonecas" que ficou conhecido internacionalmente (!!!) como "Bruce Lee Vs. Gay Power", aproveitando a onda de filmes de "Brucexplotation" (filmes com sósias do Bruce Lee que assolaram o mundo após a sua morte).



O Adriano Stuart tá mais parecido com o Dee Dee Ramone do que com o Bruce Lee


Antes de mais nada é preciso uma explicação: O cinema nacional tem a péssima fama de: 1 - Ter muito palavrão; 2 - Ser monotemático; 3 - Copiar filme gringo. Primeiro, filme americano tem tanto palavrão quanto filme brasileiro. O caso é que a nossa dublagem e as nossas legendas "eliminam" os palavrões originais. Experimentem assistir com o audio original ou mesmo a legenda em inglês. Segundo, durante os anos 70, mesmo nos EUA, muitos diretores faziam filme explorando um tema só de forma até apelativa. É o chamado "cinema xploitation". Tinha o "blaxploitation", o "sexploitation", o "violencexploitation", o "nazixploitation" e o "brucexploitation", categoria em que a gente pode incluir esse "Kung Fu...". E terceiro, não é só no Brasil que se copiava os filmes norte-americanos. Na Turquia se fazia isso (ex: o impensável "Star Wars Turco"), no México se fazia isso e mesmo nos EUA existem as paródias pornôs dos filmes famosos, portanto chega de encher o saco do cinema nacional, OK?


Esse filme de estréia de Adriano Stuart não é picareta, É BASTANTE PICARETA, mas é um picareta com estilo e que sustentou o cinema nacional por muito tempo, quando não tinha cinema dentro de shopping e a pipoca era mais barata (sem querer ser saudosista).


Além de Bruce Lee, a maior influência desse filme é a série "Kung Fu" com David Carradine. Dá para perceber isso bem na abertura do filme com o personagem principal (interpretado pelo próprio Adriano Stuart, que não se contentou em apenas dirigir a bagaça) caminha ao longe pelo deserto, com uma roupa no estilo da do seriado (com uma camisetinha rosa da série) ao som de uma versão de "Mulé Rendeira" tocada em estilo oriental. Para terminar de avacalhar o personagem ele toca (mal) um saxofone o tempo todo (não sei se isso tem a ver com a série)


O enredo da obra é a típica história de vingança que tem em quase todo filme de kung fu, até no "Kill Bill". Nesse caso o jovem Chang precisa vingar a morte do pai, da mãe, da irmã, que também foi estuprada e, principalmente, DO PORQUINHO DE ESTIMAÇÃO MORTO E QUEIMADO POR CANGACEIROS.




Para tal ele conta com a ajuda de uma jovem capoeirista (Helena Ramos) que teve o pai assassinado pelos vilôes do filme e que foi salva de ser estuprada graças ao herói, em uma das sequências de luta mais toscas e mal coreografadas (teve coreógrafo de luta nesse filme?) da história do cinema. O ponto mais alto é quando o Chang enxerga um número 2 nas costas do capanga caído no chão (SIM, SÃO CANGACEIROS COM NÚMEROS NAS COSTAS COMO JOGADORES DE FUTEBOL) e solta essa: "Eu sempre odiei...lateral direito!"







O mais interesssante do filme é que apesar do nome, os cangaceiros do filme não são necessariamente gays. Eles saem com mulheres, mas usam roupas coloridas, fazem as unhas, cuidam do cabelo e vivem cantando o tempo todo, em suma, ELES SÃO O RESTART.

E eu vou te esperaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar...aonde quer que eu vááááááá....
Gays escrachados mesmo só tem os que trabalham no bordel da mãe da mocinha (isso mesmo que você acabou de ler). Um deles é tarado no nosso chinês do Paraguai (e se dá bem no final do filme) e outro puxa papo quando ele interrompe a luta para tomar cerveja (ISSO MESMO AMIGO. O CARA PARA A LUTA PARA BEBER E DEIXA A MOCINHA TENDO QUE SE VIRAR PRA DAR UMA COÇA NOS MALACOS). O fêdamãe também para a luta para se refrescar com um ventiladorzinho portátil.






O pior desse filme é que vira e mexe o nosso chinês tem uns "flashbacks" em que ele recebe conselhos inspiradores de seu "mestre", um baita negão com o bigode do "Pai Mei" e a voz do "Caro Colega", personagem já falecido de "A Praça é Nossa". O caso é que o herói sempre faz O CONTRÁRIO  do que o mestre ensinou, por exemplo, quando os moleques da cidade o recepcionam gritando "bixa", "bixa", "bixa"! e tacando pedras, ao invés de ignorar "como um sábio pernilongo", ele revida e taca pedra de volta nos moleques.





Alguém que ler esse texto talvez comparará esse filme à "Kung Pow - O Mestre da Kung Fusão", pois eu digo que é bem pior. Em "Kung Pow" pegaram um filme tosco de Hong Kong sobre kung fu, redublaram e acrescentando umas cenas inéditas. Já em "Kung Fu contra as bonecas" o filme em si já é tosco o suficiente! Não tem como avacalhar mais aquilo! É impossível! O que dizer de um filme em que do nada aparece um destacamento da volante carregando uma bandeira do Corinthians (é alguma piada com "volante" que eu não entendi?).


O que dizer de um filme em que o oficial da volante usa um escudo do Santos no quepe (?).


E o herói, que dá autógrafo para o capanga que ele acabou de surrar? (uns 18 anos antes de Johnny Cage ter a mesma idéia)






Além da presença do recém-falecido Adriano Stuart e da, ainda viva, Helena Ramos, vale destacar também a atuação de Maurício do Valle, que tanto fez filmes "cabeça" do Glauber Rocha (fazendo o papel de Antônio das Mortes), quanto as tosquices dos Trapalhões ("Os Trapalhões e o Mágico de Oróz", "Os Trapalhões e o Rei do Futebol" ). Ele é o dono do supermercado em que o Chico Anysio vai fazer compras e o Didi o convence a não levar nada.



É de admirar que existissem atores que fizessem filmes intelectuais e filmes populares com a mesma devoção e entusiasmo. Nas homenagens que fizeram ao Stuart, a maioria das TVs só lembraram da sua participação nos excelentes "Boleiros 1 e 2". É interessante dar uma fuçadinha e descobrir o quanto que os nossos atores e diretores "ralaram", às vezes literalmente, até conseguir algum prestígio (Ou um Chokito... pegou, pegou?).


Fontes:
http://www.imdb.com
http://pt.wikipedia.com
http://www.youtube.com

Cotação:
(_)_) (_(_) (_)_) (_(_) (_)_) (_(_) (_)_) - Melhor que 25 pirulitos de morango!

3 comentários:

Bruno disse...

Cara, AONDE vc arranjou este filme?
Ah, e oslinks para a Wikipédia e o IMDB estão errados.

Thiago Doido disse...

Tem no You Tube inteirim. Já já eu arrumo os links.

carla disse...

AZ21 vai resolver seu problema. Experimente!

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